Dr. Tanure - Psiquiatria
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Medicamentos para TDAH: metilfenidato, lisdexanfetamina e não-estimulantes

Entenda como funcionam os medicamentos mais usados no tratamento do TDAH em adultos. Ritalina, Venvanse, Concerta e alternativas não-estimulantes.

Por Dr. Daumiro Tanure

Um dos maiores receios dos pacientes que recebem o diagnóstico de TDAH é: “vou ter que tomar remédio para sempre?” ou “esses remédios são perigosos?”

Neste artigo, explico como funcionam as principais classes de medicamentos usados no tratamento do TDAH em adultos.

Estimulantes: primeira linha

Os estimulantes são, há décadas, a medicação de primeira linha para TDAH. Funcionam aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal, a região do cérebro que está com funcionamento atenuado no TDAH.

Metilfenidato (Ritalina, Concerta)

O mais conhecido. Existe em formulações de curta duração (Ritalina comum, 3-4h de efeito) e longa duração (Ritalina LA, Concerta, 8-12h).

  • Início do efeito: 30-60 minutos
  • Principais efeitos colaterais: redução de apetite, insônia se tomado tarde, aceleração discreta da frequência cardíaca
  • Quando evito: histórico de arritmias, hipertensão não controlada, transtornos psicóticos ativos

Lisdexanfetamina (Venvanse)

Pró-fármaco da anfetamina. Começa a agir quando metabolizado no fígado, o que o torna mais estável e de menor potencial de abuso que a anfetamina direta.

  • Início do efeito: 1-2 horas
  • Duração: 12-14 horas
  • Vantagem: tomada única pela manhã, sem efeito “montanha-russa” da liberação rápida
  • Efeitos colaterais: semelhantes ao metilfenidato

Não-estimulantes: quando e para quem

Nem todo paciente tolera ou responde bem a estimulantes. As alternativas:

Atomoxetina (Strattera)

Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina. Não é estimulante. Não causa euforia.

  • Início do efeito: 2-4 semanas (muito mais lento)
  • Vantagens: sem potencial de abuso, menos impacto no sono, cobertura 24h
  • Desvantagens: resposta mais lenta, eficácia geralmente menor que estimulantes

Bupropiona

Antidepressivo com ação dopaminérgica e noradrenérgica. Usada off-label para TDAH, principalmente em pacientes com comorbidade depressiva ou que querem parar de fumar.

Efeito “mudou minha vida”

Muitos pacientes relatam nas primeiras semanas que “parece que a neblina saiu”. Conseguem começar tarefas, manter foco, tomar decisões. Isso é o tratamento funcionando, não mágica.

Riscos reais

Medicação de TDAH, quando bem indicada e acompanhada por médico especializado, é segura. Os principais cuidados:

  • Monitorar pressão arterial e frequência cardíaca
  • Observar sono e apetite
  • Reavaliar dose periodicamente
  • Pausas terapêuticas em alguns casos
  • Nunca usar medicação de outra pessoa ou sem prescrição

Tratar TDAH é só remédio?

Não. Medicação é uma parte do tratamento. Psicoterapia (principalmente TCC), organização de rotina, exercício físico, higiene do sono e coaching fazem diferença importante. O tratamento ideal é multimodal.

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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Medicamentos de TDAH são de uso controlado e exigem prescrição.

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